domingo, fevereiro 24

Lua

Sou pura, sou doce
Sou tudo, sou nada
Sou água, sou fogo
Sou anjo, sou imaculada

Sou pedra, sou espinho
Sou o mundo, sou um grão
Sou virtude, desvario
Sou a terra, sou o chão

Sou futuro, futurista
Sou criança, sou mimada
Sou jovem, leviana
Sou alegre, enfatizada

Sou tristeza, sou irreversível
Sou amiga, sou coerente
Sou plebléia, sou riqueza
Sou donzela, sou carente

Sou vilipendiada, ameaçada
Sou fraca, sou forte
Sou a dor, sou vital
Sou a vida, sou a morte

*escrito em 1999

sábado, fevereiro 9

Quem sabe?

Quando é que a gente sabe que está tudo errado?
Como é que a gente sabe a diferença entre tristeza e desilusão?
Que hora a gente sabe se é só um dia ruim ou a vida que está ruim?
E se amanhã ficar tudo bem e a gente achar que a vida é boa mas for só um dia bom?
Quanto tempo a gente tem que viver entre dias ruins e bons até perceber que o número de ruins prevaleceu?
Quanta lágrima a gente tem que enxugar até perceber que já chorou demais?
Quanto vazio a gente tem que ter até a gente querer preencher?
Quantas vezes a gente tem que morrer pra começar a viver?